A sócia-diretora da Tinno Marketing, Flávia Fonseca, é autora de pesquisa de mestrado sobre o uso de fontes informação pelos gestores de startups de BH. Para tanto, ela estudou a cultura do Vale do Silício e as lições aprendidas. Mudança de postura (frente aos erros, principalmente) e pensamento coletivo são, sem dúvida, drivers não só para os negócios, mas para a vida.

Confira neste post um pouco de suas conclusões, retiradas de artigo apresentado no Congresso Brasileiro de Ciência da Informação, o Enancib 2017, que você pode conferir na íntegra aqui.

Tecnologia e informação

A tecnologia  é um elemento-chave nos processos informacionais, sendo tema recorrente na Ciência da Informação (TARAPANOFF, 2006). Se a tecnologia pode ajudar na construção do conhecimento, por outro lado, ela também pode representar a vilã nesse processo. Tal como afirma Burke (2012, p.183), “a tecnologia tem sido empregada não só para colher, mas também para ocultar a informação”.

Nos atuais ambientes de negócios, para que uma empresa consiga desenvolver-se de forma competitiva, é preciso que ela monitore e gerencie informações dos ambientes interno e externo. De acordo com Rodrigues e Blattmann (2014, p.9), “para que a gestão da informação seja realizada de forma adequada, é importante conhecer as fontes de informação, tanto internas quanto externas”. Segundo estes autores, as fontes possuem diferentes formatos, natureza e conteúdos. A relevância das fontes de informação para a competitividade também é citada por Gomes, Kruglianskas e Scherer (2011), que as relacionam aos processos de gestão da inovação, desafio crucial para as organizações de todos os portes.

Redes sociais: vozes e ouvidos mais rápidos

Atualmente, as redes sociais se configuraram como importantes fontes de informação na Internet, constituindo-se também como importantes canais de comunicação para as organizações. Partindo da consideração de Ritzmann (2012), as redes sociais online são ferramentas, plataformas digitais ou softwares sociais presentes na Internet que mediam as relações sociais entre atores e permitem o estabelecimento de conexões e troca de informações na rede. De acordo com Anastácio e Vieira (2013), com o advento da sociedade da informação, as novas práticas informacionais de busca e recuperação marcam um novo modelo na geração de conhecimento, que interfere nos mecanismos de buscas e divulgação da produção intelectual, principalmente na plataforma web. Perin (2015) lista algumas redes sociais usadas pelas startups, pelo seu poder de disseminação e relacionamento: Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter, YouTube e Slide Share.

Segundo o autor, as redes sociais são as vozes e os ouvidos mais rápidos que uma startup pode ter. Mafra Pereira e Barbosa (2008) propuseram um modelo de classificação das fontes de informação usadas por consultores empresariais, que considera: origem (fontes internas ou externas); relacionamento ou proximidade (fontes pessoais ou impessoais); e mídia (fontes eletrônicas e não-eletrônicas). Já Pizzol, Todesco e Todesco (2016) utilizaram um modelo de caracterização da informação que considera o conceito de origem primária (informação gerada pelo próprio concorrente, como relatórios anuais, discursos e entrevistas) e secundária (informação gerada em outras fontes que observam os concorrentes, como jornais, revistas e relatórios de analistas); domínio público (informações tornadas públicas pelos concorrentes, como balanço de S.A. e publicações na web) e não-público (informações que não são publicadas pelos concorrentes, como pesquisas em feiras e com forças de vendas); e quanto ao tipo hard (informações baseadas em dados quantitativos, como relatórios estatísticos e financeiros) e soft (informações baseadas em dados qualitativos, como entrevistas, discursos, boatos e rumores).

As startups

Em todo o mundo, as atividades empreendedoras destacam-se como alavancas do desenvolvimento social e econômico, sendo associadas principalmente à geração de emprego e renda, conforme aponta o GEM (2014). É no mundo denominado por Perin (2015) como do “empreendedorismo de alto impacto” que surgem as startups. As primeiras startups surgiram no Brasil no começo do século XXI, sendo que, a partir de 2010, essas empresas cresceram vertiginosamente, de acordo com a ABStartups. Segundo a instituição, essas empresas têm modelos de negócios, em sua maioria Business to Business – B2B. A maior parte está cadastrada no mercado de Software as a Service– SaaS/Web Aplicativo – App. O Brasil é o país que mais se destaca em termos de capacidade empreendedora, segundo pesquisa do GEM (2015), quando são analisados os principais fatores que favorecem a abertura e manutenção de novos negócios. Em relação aos principais obstáculos, o estudo aponta como entraves as políticas governamentais, educação e capacitação, sendo esses dois últimos os de maior atenção destacados por especialistas.

O desenvolvimento de um ambiente empreendedor e propício à inovação numa determinada região ocorre a partir de uma ação coordenada, segundo Malczewski (2015). “Tem que haver uma universidade para criar massa crítica, empresas de grande porte que demandam produtos ou componentes de tecnologia e algum tipo de fomento, como uma incubadora e linhas de financiamento” (MALCZEWSKI, 2015, p.174). Um estudo da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE, 2016) sobre o Panorama de Inovação e Tecnologia, em 2015, coloca Minas Gerais em segundo lugar no ranking de densidade de empreendedores no Brasil, com 145 a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Distrito Federal, que registra 319. Como exemplo, em Belo Horizonte, destaca-se uma comunidade de startups autonomeada San Pedro Valley, numa referência ao bairro São Pedro, na capital mineira (onde se localizaram inicialmente), e ao Vale do Silício americano.

Perfil do empreendedores e das startups

São as seguintes as características dos participantes do estudo e de suas empresas:

• 86,4% dos gestores de startups de Minas Gerais participantes da pesquisa são do sexo masculino e 13,6% são do sexo feminino;
• A maior parte dos empreendedores (31,7%) possui idade entre 31 e 35 anos; 20% deles têm de 26 a 30 anos; 20% têm mais de 41 anos;
• A maior parte das startups de Minas Gerais participantes da pesquisa foi criada há mais de quatro anos (35% delas); 26,7% foram criadas há dois anos;
• Quanto ao nível educacional, 33,3% dos empreendedores possuem ensino superior; 28,3% possuem especialização; 21,7% possuem mestrado;
• Quanto à área de formação dos empreendedores, a maior parte deles advém dos campos de Ciências Exatas, Engenharia e Computação (45%); 18,3% são da Administração de Empresas, Economia e Contabilidade;
• A maior parte das startups (46,7%) participantes possui até cinco colaboradores; 21,7% das empresas possuem de dez a 24 pessoas;
• Mais da metade das startups (51,7%) tem o modelo de negócio B2B; 13,3% são Business to Consumer – B2C; 8,3% possuem SaaS; e 8,3% possuem outros modelos de negócio.

Em termos de segmento de atuação, 18,3% das startups de Minas Gerais participantes da pesquisa são do setor de varejo e e-commerce; 15% são da indústria; 13,3% são da área de educação; 11,7% são da área de saúde; e 31,7% são de outros segmentos.

A pesquisa procura trazer contribuições não somente teóricas e para o campo; mas gerar insights que possam ajudar empresas nascentes e inovadoras a evoluir. Leia também este post sobre como atrair mais investimentos para a sua empresa ou startup.